O Ardipithecus ramidus vem reforçar a linha divisória entre a evolução e o retrocesso, pois a ideia da origem do Homem começará a sofrer – ainda que de forma indirecta – várias alterações, após a publicação na revista Science dos estudos sobre os esqueletos fossilizados daquele primata primitivo.
Os estudos que a descoberta destes esqueletos permitiram, têm sido bastante reveladores e acabam por questionar de forma esclarecida diversas ideias populares e com frequência erradas:
I – O Homem descende do macaco?
Não, desde o estabelecimento da Teoria da Evolução das Espécies, sempre foi referido que o Homem e os símios teriam um antepassado comum, nunca uma descendência desta natureza.
II – Este “antepassado comum”, seria mais idêntico aos símios?
Sim, e não. Entre as várias conclusões deste grande estudo efectuado aos esqueletos do Ardipithecus ramidus, está a de que os grandes símios actuais (Chimpanzé e Gorila), evoluíram separadamente de forma a especializarem-se aos seus habitats. Isto quer dizer que se admite – pela primeira vez com suporte – que determinadas características dos antepassados comuns seriam mais próximas do ramo que daria origem ao homem do que o dos grandes símios, nomeadamente, o bipedismo.
III – O Ardipithecus ramidus é uma antepassado comum entre os grandes símios e os homens?
Não, mas é a “peça” do puzzle mais próxima desse antepassado que foi estudada até à actualidade. As suas características lançam finalmente a luz sobre este e colocam-no como antepassado comum ao humano moderno e o chimpanzé (mas não do gorila e do orangotango).
Esta última conclusão lançam efectivamente o debate sobre a forma como é vista não só a evolução dos humanos actuais como também dos chimpanzés actuais. A grande revolução que introduzem são as de que – precisamente – os antepassados dos chimpanzés actuais teriam algumas características morfologicamente mais próximas às dos homens actuais, como por exemplo a capacidade de bipedismo: o não uso dos nós dos dedos das mãos como auxílio para se colocarem em pé.
Charles Darwin, quando publicou o seu “The Descent of Man” foi largamente criticado e inclusivé caricaturado com traços simiescos. Hoje, à luz destas conclusões esta caricatura cai por terra, tal como muitos dos argumentos apresentados pelos “neo-criacionistas”.
O espaço que o “neo-cracionismo” ocupa hoje, é deixado vago pela incapacidade que a ciência moderna tem em esclarecer as respostas que encontra, e em esclarecer as perguntas que ainda tem por fazer. Uma pálida compreensão do método científico pelas comunicades modernas, toldadas pela Tecnologia, e pelos Media incapazes de distinguir a Ciência da Técnica / Tecnologia completam o ciclo atávico do campo onde a designada “Teoria do Design Inteligente” prolifera.
A supremacia da Tecnologia (Tecnologia: Resposta sofisticada a necessidades sofisticadas) como factor económico e empregador abriu uma fractura que coloca a Ciência – e consequentemente a evolução do pensamento – com um novo paradigma:
Serão o saber e o conhecimento, processos de evolução e continuidade, ou meros meios para os fins económicos e individuais cuja origem existe apenas explicada nas escrituras sagradas e nos Desígnios do Senhor?
O Ardipithecus ramidus vem reforçar a linha divisória entre a Evolução e o retrocesso…


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