Skip to content

A Todo o Gás. Venenoso.

O arranque oficial da campanha para as legislativas deu-se e já a imprensa internacional ecoa o pormenor mais desinteressante e menos importante entre todos os que se encontram em causa com estas eleições, que surgiu a debate durante a insípida pré-campanha – o TGV, que partiu assim de Lisboa, pela Europa fora, parando primeiro em quase todas as estações e apeadeiros em que podia. Na vizinha Espanha.

Os canais generalistas de televisão (RTP, TVI e SIC), dividiram entre si as fatias do bolo de debates, caindo o brinde à SIC a quem coube a transmissão do último debate e – para muitos – o mais aguardado, entre Ferreira Leite e Sócrates. A sequência com que os canais organizaram os debates foi uma assumpção de bipolaridade partidária, numa lógica simples de iniciar os referidos entre 1º partido + partido pequeno A, 2º partido + partido pequeno B, trocando depois os leques de “cor” política entre si, e voltando a trocar, provocando a ansiedade crescente e expectativa para o “debate final” entre os personagens dos dois grandes partidos.

socrates ferreira leite

Esta assumpção de bipolaridade partidária por parte dos canais de televisão não pode ser inocente, e esta chamada de atenção ao termo assumpção deve-se à sua dualidade: se se assume que existe uma bipolaridade partidária, quem o reconheceu e quem o disse que assim é dentro dos canais de televisão? Se é um consenso entre os orgãos de comunicação social, quem o originou e determinou que se perspectiva a política partidária com esta bipolaridade? Será que todos os editores, redactores e afins são consensuais em lidar com a realidade política de forma bipolar? Com certeza que não, e por mais que o argumento de mercado, audiências e tiragem seja invocado, este consenso que aparentemente reina nas redacções é perverso porque não só apresenta a bipolaridade como “facto consumado” ao público – instando-o ao voto útil – como destrói algo que numa democracia parlamentar deveria acontecer numa campanha: à partida, e até ao contar dos votos, todos os partidos deveriam ser tratados como eligíveis para governo sendo Ferreira Leite e Sócrates meros dois entre os demais.

Se os debates entre os partidos com assento parlamentar e que nas eleições passadas tiveram menos votos, constituíram meras “curiosidades democráticas” para a generalidade dos Media, já o último debate entre os representantes dos dois partidos que nas eleições anteriores tiveram mais votos – um de governo, e outro que ficou em segundo – foi apresentado como a “discussão final”, o “super-debate”, a “revelação”, o “momento”, a “final”, etc..

O facto é que a “final” é só no dia do voto e os Media divergiram a atenção do público desse “detalhe” – importante, por sinal – e o arranque da campanha foi feito ao ritmo dos ecos provocados mais pelo que se disse  – do que pelo que não se disse – no debate entre Ferreira Leite e Sócrates.

O TGV partiu assim de Lisboa, pela Europa fora, parando em quase todas as estações em que podia na vizinha Espanha. Ainda em espaço nacional, obedeceu ao plano Espanhol de linhas de Alta Velocidade: estrela concêntrica em Madrid, concretamente em Moncloa. Já em território Espanhol, parou em todos os “barrios”, autarquias (alcaidarias??) e regiões autónomas.

Pelo caminho, com a via muito bem preparada pelas redacções das agências noticiosas (televisões e escritas) nacionais, atropelou alguma sanidade na discussão eleitoral, deixou à sombra partidos que poderão ter que fazer parte de uma eventual coligação, deixou de lado a discussão sobre que Portugal desejarão afinal os Portugueses no seu Presente, Futuro e percepção de passado, os custos e vantagens das opções programáticas e das promessas, em suma, o TGV sem existir já atirou balastro aos olhos dos Portugueses.

O TGV saíu a Todo o Gás. Venenoso.

Post a Comment

Your email is never published nor shared. Required fields are marked *