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A Mediocracia

Com o fim do “demos”, a Mediocracia acaba por ser o governo em que o medio exerce a soberania. Conforme nos demonstra o jornalismo do “day after” das eleições Legislativas, este medio confunde-se com a mediocridade, com as classes médias e com os media. Efectivamente, tal como Guy Debord defendia noutros tempos não muito distantes, na “sociedade  do espectáculo” existe o Homem que se transformou num “ser vulnerável que não consegue distinguir a imagem do real”.

No seu artigo de opinião “A cosmética derrotou a verdade“, Nilza Mouzinho de Sena expõe o que faltou nesta campanha que terminou, e o seu artigo, é em si mesmo uma peça do que faltou nesta campanha. Numa síntese muito interessante, a autora leva-nos à “máquina de imagem” de Sócrates – esse tal Partido Socialista dos “lobos” cuja existência Eduardo Prado Coelho preconizou anos atrás – que caracteriza como de cosmética, e também nos transporta à máquina da verdade social-democrata e por fim não descura os restantes partidos com assento parlamentar.

O diagnóstico apresentado pela professora universitária é temerário. Surge em contra-ciclo com as linhas editoriais seguidas durante a campanha. Afirma, finalmente, ainda que de forma subtil, que os Portugueses são nestas matérias vítimas da indistinção entre a “imagem” e o “real”: Ousando afirmar que “José Sócrates fez jus às orientações da sua profissional machinery…” e que “”Ferreira Leite sustentou a sua trajectória com menos ductilidade e, por isso mesmo, frágil perante as exigências mediáticas contemporâneas…” o seu artigo peca pelo tardio.

Tardio porque o espectáculo apresentado sobrepôs-se ao espaço de reflexão vital que os media não criaram para que o português comum pudesse escolher racionalmente o que se encontra(va) em jogo, distinguindo um pouco melhor o “real” da “imagem”. Ao invés de informação, investigação e confrontação, a generalidade da comunicação social comportou-se como uma divisão dos Departamentos de Imagem e Comunicação dos maiores partidos.

O jornalismo e a sua deontologia não se encontram preparados para criar mecanismos de análise crítica ao fenómeno da “relevância mediática” que relega a sua prática (do jornalismo) a um plano de mero “fornecimento de conteúdos”, ao invés do fornecimento de “produto final” informativo com o qual a classe ganhou notoriedade na história.

Por isto mesmo e por falta de notoriedade na generalidade do jornalismo, que pobre foi a discussão das opções que se encontram em jogo e com isso perdemos todos nós, Portugueses, sem excepção. Os temas quentes sobre a mesa destas eleições foram episódicos, feitos de “casos”, com o culminar no caso-que-não-é-caso-mas-que-poderia-ser-e-que-sendo-seria-gravíssimo das escutas em Belém.

Que futuro desejam os Portugueses, que facturas estarão estes dispostos a pagar, e com que objectivos, em suma, que Portugal se deseja para  as próximas décadas é um tema cuja discussão é atrasada desde a entrada do país na então CEE – a última grande reforma estrutural por cá efectuada. Mas este atraso é cada vez mais evidente e a definição é inadiável.

A mediocridade desta Mediocracia é inimiga do futuro…

mediocracia
s. f.
1. Predomínio social das classes médias.
2. Burguesia.

VeUma vist

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