
Media Control: The Spectacular Achievements of Propaganda, New York: Seven Stories Press, 1997.
Numa clara demonstração que a verdade é mais “aquilo que parece”, do que aquilo que porventura “seja” ou “terá sido”, um cenário de eleições é sempre um caso de estudo interessante.
Chegou-me às mãos, há anos, e por mero acaso, este livro de Noam Chomsky que efectua uma análise retrospectiva dos media nos E.U.A. em contextos bélicos, iniciando-se na Primeira Grande Guerra. O primeiro exemplo estonteante data da re-eleição de Woodrow Wilson como presidente americano, com o slogan central de campanha “he kept us out of the war”, em 1916. Esta pretensa neutralidade durou formalmente até Abril de 1917 com a declaração de guerra à Alemanha e o consequente envolvimento americano na guerra.
Chomsky transporta-nos através da evolução dos relatos de guerra jornalísticos desde a re-eleição de Wilson até à declaração de guerra. Exemplifica com artigos de “bebés mortos por soldados alemães” numa pequena localidade Belga, em artigo de rodapé e documenta a evolução do tema até às faustosas manchetes sobre os “maus”, “criminosos” e “perversos” alemães. O povo americano que até então não queria saber da guerra entre os europeus colonialistas, em pouco mais de seis meses ficou colectivamente histérico contra o povo germânico.
Este é o primeiro exemplo da espectacularidade dos efeitos propagandísticos dos meios de informação com que Chomsky nos brinda, num trilho que chega até à primeira guerra do golfo. Este livro foi re-editado pouco depois dos atentados de 11 de Setembro 2001, inalterado no seu miolo, contando apenas com a inclusão de um pós-facio retirado de uma conferência do autor.
Longe de querer aqui redescobrir a roda, pretende-se demonstrar que os cenários de eleições que se avizinham são mais do mesmo: uma colisão de “verdades” sempre relativas de acordo com o ponto de vista do seu relator.
O momento nacional e internacional não é para brincadeiras.
É um momento em que se vive o “futuro” de que se falava há duas, três e quatro décadas atrás e as soluções apresentadas são em suma conjuntos de medidas de contingência para o “presente” e o termo “futuro” não vem mais do que vagamente associado a energias “verdes”, emissões de CO2 para a atmosfera e pouco mais.
As evocações de valores, conforme observamos, surgem cada vez mais repletas de vacuidade – quer na versão Ferreira Leite quando menciona a descaracterização social e familiar do país – quer na versão de Sócrates com a justificação dos “bons fins” para os meios utilizados.
O terreiro para esta luta é nos media. Em vésperas de eleições, os headings são o anúncio de mais uma batalha em que conta a entoação e a forma como se transmitem quem são os “bons” e os “maus”.
Tentaremos, sem compromisso, dar algum controlo ao Media Control nos próximos tempos…
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