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A Europa que interessa

Enlèvement d'Europe, Nöel-Nicolas Coypel, c. 1726A Europa que interessa é esta:

Europa, era filha do rei da Fenícia, Agenor, e irmã de Cadmo. Segundo a lenda, Zeus enamorou-se dela, e engendrou uma trama para a seduzir e conquistar sem que fosse descoberto por Hera. Para o efeito, transformou-se num grande touro branco e posteriormente misturou-se com a manada real.

Enquanto Europa e as suas acompanhantes apanhavam flores  esta viu o touro. Este aproximou-se gentilmente e chegando próximo dela, ajoelhou-se aos seus pés. Os modos do touro eram tão meigos que Europa enfeitou-o de flores e superou o seu medo pelo possante animal, ousando montá-lo. Zeus aproveitou a oportunidade e correu para o mar. Nadou com Europa sobre o seu dorso, revelou-lhe a sua verdadeira identidade e levou-a para Creta.

Uma vez chegados à ilha de Creta, Zeus retomou a sua forma humana e tomou-a como amante debaixo Europa e um touro num vaso grego. Museu de Tarquinia, cerca de 480  ACde um cipreste. Desta união nasceram três filhos: Minos, Radamanto e Sarpédon.

Europa tornou-se na primeira rainha de Creta ao desposar posteriormente o rei de Creta que adoptou os seus três filhos que teve com Zeus. Este, à sua partida, reproduziu a sua forma de touro nas estrelas (constelação Taurus).

A procura de Cadmo pela sua irmã, levou-o numa demanda que conduziu à fundação da cidade de Cadmea, que mais tarde viria a ser conhecida por Tebas.

A lenda de Europa, aqui, não chega por um qualquer acesso de mitologia grega que me terá percorrido a mente, muito menos pela plausibilidade de ligação da figura do touro à nossa identidade cultural (muito em voga em redor da vacuidade do problema da tourada).

Invoquei-a, a Europa, porque não se lhe conhece morte nos textos descritos. A mitologia romana soluciona a ausência de morte desta amante humana de Zeus (Júpiter), contando que depois de ter tido os três filhos, entretanto adoptados pelo rei de Creta, a levou para uma nova terra onde lhe deu o seu nome: Europa.

Isto sim: é o que me apetece falar da Europa que todos esquecem no meio das (des)uniões políticas e monetárias, stress-tests à banca, problemas internos nacionais, défices, força e fraqueza do Euro, amigos e inimigos do Euro, agências de rating americanas contra o Euro e instituições e nações europeias, Euro-lixo, Euro-luxo.

A Europa que interessa é esta: a que no imaginário nos diz de onde vimos e quem somos. A que nos diz onde – abstractamente – se começou para chegarmos onde nos encontramos: talvez um dos melhores lugares onde se viver actualmente no mundo. Por enquanto.

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