Aug 202014
 

Um discurso necessita de sustento de substância, porque de contrário aprisiona-se no desconchavo de se “encher” o vazio com mais vazio.

Por cada indivíduo desempregado, emigrante, “inactivo” ou até precário (“estágios”,  part-time, “empreendedores”, recibos-verdes-falsos-agora-legitimados, etc.) não é descontada para a Segurança Social, a taxa de 23,75% respeitante à entidade empregadora (quando é uma entidade com fins lucrativos, relativamente aos trabalhadores do estado, desconheço). Portanto, por cada desempregado/emigrante/”inactivo”/precário, há menos 34,75% de desconto sobre o seu salário caso este existisse em condições normais. Aparentemente, num universo onde o desemprego (oficial) entre  15% e 20% veio para ficar conforme indica a tendência verificada desde 2011, a receita que a Segurança Social fica por assegurar é expressiva. Portanto, se aumentou extraordinariamente nestes anos de “ajustamento” a massa de indivíduos que deixou de contribuir o total de 34,75% – os tais 11% do trabalhador somados aos tais 23,75% da entidade empregadora – devido ao desemprego, à emigração e à precarização (repito: “estágios”,  part-time, “empreendedores”, recibos-verdes-falsos-agora-legitimados, etc.), seria interessante saber-se (dimensionar-se) se esta “não-receita” não será tanto ou mais expressiva que o envelhecimento demográfico em termos de impacto no sistema público de segurança social, porque os problemas de “sustentabilidade” da Segurança Social não se podem limitar apenas à despesa (subsídios de desemprego, apoios sociais, etc) e aos 11% de “não-receita” do trabalhador desempregado.

Desconheço, por falta de tempo e oportunidade, se esta dimensão específica terá sido abordada nos vários estudos efectuados sobre a Segurança Social (ou sobre o “Estado Social”), mas é uma ideia que me tem incomodado, pois aparenta ser um dado relevante tendo em conta as projecções de que o (des)emprego actual vai manter-se pelo menos na próxima década. Apesar de esta dimensão já ter sido abordada em diversos artigos de opinião, está ausente dos discursos oficiais sobre a Segurança Social (que dão relevância aos aspectos demográficos) e sobre o emprego (que dão relevância ao empreendedorismo/precariedade como solução). Por exemplo, se emigraram cerca de 200 mil portugueses em idade activa desde 2011, haveria que contabilizar cada 34,75% de respectivos potenciais salários que a Segurança Social deixou de potencialmente receber. Contas à parte, alguém da especialidade sabê-las-á fazer melhor, é preocupante a forma como este aspecto (dos 34,75% não recebidos pela S.S. por cada desempregado, emigrante, “empreendedor”, ou precário) está de fora das contas e dos discursos oficiais de “sustentabilidade” da Segurança Social, o que se compreende em parte, porque tal contabilização expressaria evidentemente o descalabro. Ao invés, prefere-se apontar armas aos que usufruem de pensões contributivas, de rendimentos de inserção e afins.
A ausência de reconhecimento deste descalabro, tanto nos discursos de governo como nos discursos de projecto de governo, identifica claramente um horizonte de destruição a prazo do sistema público de pensões e esclarece-nos sobre o estado em que se encontra a chamada “solidariedade intergeracional”. Coloca-nos um problema de sustentabilidade, sim, mas da sustentabilidade de mais uma mentira.

Fresco de Pompeia retratando um banquete de família, no Museo Archeologico Nazionale (Nápoles)

Fresco de Pompeia retratando um banquete de família, no Museo Archeologico Nazionale (Nápoles)

Oct 042012
 

Ainda sobre a manifestação de 15 de Setembro e a dita “Sociedade Civil”:

Faz sentido falar de esquerda e de direita na manifestação, sim, até porque estavam lá diversas organizações de direita e até muitos saudosistas de Salazar.
Relembro que o fascismo e até o Nacional-Socialismo eram/são anti-capitalistas e que o anti-capitalismo não é exclusivo da esquerda, portanto o descontentamento verifica-se para os dois lados.
No entanto, só a esquerda preconiza a identificação de condição entre todos os pertencentes ao estrato desfavorecido (os 99% que hoje alguns movimentos falam, por exemplo, ou a consciência de classe se evocarmos Marx) enquanto a direita preconiza a identificação através de algo simbólico (o “estado”, o “líder”, o “império”, etc).
A génese da manifestação foi a identificação de condição, independentemente de estado, líder, império ou qualquer outro valor/ideia simbólica, portanto, teve pendor de esquerda. “Sociedade civil”, neste caso, aplica-se a trabalhadores, reformados, precários e todos quantos se identificam com a condição de desfavorecidos neste ataque brutal que o capital (os tais “mercados”) está a executar contra quem (sobre)vive do resultados do seu trabalho.
Há que não esquecer: foi uma massa amorfa que foi à manifestação, uma “bewildered herd” (Chomsky) que está – a meu ver infelizmente – muito permeável a ideias de direita (exercício de conspirações, de caça aos “culpados” e à exaltação de valores “simbólicos”) e que não reflectem sobre a natureza do sistema que nos trouxe a este ponto.

 Posted by at 12:47 pm
Apr 232012
 

Debt collection, South Wales. Photo credit: Jocelyn Bain Hogg, The Firm

“O medo vence (quase) sempre a esperança.”

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O objectivo da apologia do medo é a “segurança”. E nisso, o status bate aos pontos quaisquer outras “razões para se ter medo”, porque a “segurança” acaba por se reduzir a uma substituição da esperança.

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Se por exemplo formos ao étimo “esperança”, deparamo-nos com a primeira definição (Priberam):

esperança
(esperar + -ança)
s. f.
1. Disposição do espírito que induz a esperar que uma coisa se há de realizar ou suceder.

Ora, esta “disposição do espírito” só sobrevive através da relação humana e da consequente identificação entre as “disposições do espírito” de cada um dos indivíduos de uma comunidade ou grupo, que possa em conjunto organizar coisas que a serem realizadas.
A apologia do medo separa, divide e inibe a solidariedade, deixando o indivíduo permeável à “segurança”.

O sinal de televisão cumpre parcialmente a sua parte neste processo através do fornecimento da ilusão de omnisciência (um requisito para a ilusão de omnipotência do “consumidor” – segundo Lipovetsky) transmitindo assim uma falsa segurança ao espectador, que é transportado para os enredos de medo veiculados pelo dito sinal que o priva de esperança, consciência crítica e de identificação ao outro (consciência de classe).

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Nesta perspectiva, a nossa única forma de preservarmos esperança é através de:
- combate à apologia do medo;
- promoção da identificação ao outro (consciência de classe);
- promoção do conhecimento;
Sem estas três premissas, o “status” continuará sempre a levar-nos a melhor e, como sucesso, a reduzir-nos imageticamente à condição de chorões, radicais e marginais.

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A promoção da identificação ao outro (consciência de classe) constitui – a meu ver – um dos maiores desafios. É que o apelo da segmentação/diferenciação individual é muito sedutor para os indivíduos que vivam numa sociedade já formatada pela ilusão de omnisciência/potência. O “eu sou diferente do outro” presente nas mentes é a morte da consciencia de classe, a semente da divisão sobre a qual se torna mais fácil de implementar o binómio medo/segurança.
As acções e movimentos que se centrem nos discursos de diferenciação e de segmentação estão à partida condenados, porque nunca transmitirão um processo de identificação ao outro que possa tornar-se comum (e universal), e podem involuntariamente agravar a situação de “medo” que tanto facilita a “segurança” providenciada pelo status.
A promoção do conhecimento é sem dúvida uma das maiores contribuições para que os movimentos possam transmitir esperança através da identificação ao outro e não optem pela via da diferenciação.
O desafio é transmitir novas formas de “eu identifico-me com o outro, embora o outro seja diferente”, porque diferentes já o somos todos uns dos outros à partida.

Feb 232012
 

Somos “filhos da madrugada” neste eterno crepúsculo sem tempo nem decisão, sem manhã nem noite em definição.

Vivemos sempre na madrugada da mente dos pais que não deixam de o ser nem o são.

Morreremos sempre nesta madrugada eterna que engole pais e filhos, porque a noite não dá lugar ao dia nem o dia dá lugar à noite.

Viveremos sempre nesta madrugada maldita sem lugar nem tempo e que não passa de uma canção.

Somos “filhos da madrugada” após uma longa e terrível noite que ainda paira como uma maldição.

 Posted by at 10:15 pm
Feb 032012
 

O mundo virtual traz cada vez mais “controlo”, é verdade, mas também cada vez mais formas de “escape ao controlo”. Assim, se a virtualização oferece maior controlo, este cada vez é menos absoluto. Só temos controlo absoluto sobre o “concreto”, o analógico, ou físico. Ainda assim, este absolutismo não é garantido porque a matéria também se transforma.
Por outro lado, há muito que se estabeleceu que a melhor forma de controlo é a do “propósito”, a do símbolo. A Igreja sobreviveu 2000 anos com este tipo de controlo. Despreocupou-se com o detalhe e estabeleceu “propósito” ao qual sucessivas gerações aderiram. O controlo que alguns estados e organizações pretendem efectuar através do digital/virtual, carece de propósito. Será sempre, portanto, muito mais vácuo e falho que alguma vez o foi o “controlo Católico”.
Aquilo que se manifesta no mundo virtual, é potencial no mundo real. Portanto existe sempre, e esta existência não tem comando “Apagar”. Se aquilo que se manifesta no mundo virtual é potencial no mundo real, e como o “controlo” no mundo virtual nunca será absoluto, as transformações “reais” tendem a ser mais caóticas e “despropositadas”. Não desnecessárias, mas sim carentes de propósito e de objectivo. Hoje poderá ser a precariedade que traz as pessoas à rua, amanhã poderá ser o direito das galinhas poedeiras a terem mais espaço na gaiola que movimentará as pessoas em igual força de expressão real.
Esta nivelação rasante, “por baixo”, é o verdadeiro perigo que a transformação da existência potencial (virtual) em material (real) nos traz a todos. Não é o controlo.

Apr 282011
 

Numa época em que alegadamente se vive uma designada “sociedade da informação”, as consequências da revolução causada pelos novos meios tecnológicos têm um impacto só comparável ao da invenção da imprensa por parte de Gutenberg, elevando a velocidade de propagação e quantidade de informação a um novo paradigma. A industrialização da informação na medida em que esta é disponibilizada ao destinatário final – actualmente designado por ‘consumidor’ – trará certamente um alcance quantitativo inédito na História, porém cria a necessidade de novos contextos que nos permitam redefinir e recontar as histórias que fazem parte do imaginário que acompanha desde há muito a nossa civilização.

A expressão dramática é um dos vectores culturais que formaliza o capital de imaginário que integra a nossa identidade cultural em diversas escalas (nacional, continental, religiosa/mitológica…), e não pode ser secundarizado pela tal “quantidade” consequente da “sociedade de informação”.

A nossa presente procura é no sentido de uma nova forma de afirmação identitária de cultura ajustada aos novos tempos de “quantidade”.

Precisa-se que a (re)criação de processos dramáticos que permitam o (re)contar de histórias que no presente não se diluam no ruído quantitativo.

Precisa-se de imprimir uma visão cultural através do Teatro, em que o símbolo e o significado regressem à ordem da nossa identidade.

 

Mar 152011
 

A “salada ‘protestante’” que ali na Avenida se juntou no dia 12, era informe, heterogénea e recheada de grupos diversos, dispares e até antagonistas, bem como uma grande quantidade de pessoas alheadas da política (e dos seus ‘agentes’). Estas últimas dividem-se, por exemplo, nas que odeiam ferozmente, odeiam indiferentemente ou que odeiam com desprezo os actuais ‘agentes’ da política. O grande sucesso deste protesto, no meu entender, foi trazer à rua e à discussão esta gente, que alheada da política, ter-se-à abstido (uns poucos votado em branco – havia cartazes) nas últimas eleições.
Este facto, se ignorado, custará caro aos actuais ‘agentes’ políticos e não só: também à própria democracia.
É que o actual regime encarregou-se de decretar o fim do “demos” para dar lugar ao “media”. Uma política é actualmente definida mais de e para o “media” que para o “demos”. A figura do eleitor é um coisa abstracta – para o político ‘polido’ – que é alcançável e gerida pelo “media”.  Assim, repito: Guy Debord defendia noutros tempos não muito distantes, que na “sociedade  do espectáculo” existe o Homem que se transformou num “ser vulnerável que não consegue distinguir a imagem do real”. Esta indistinção é própria tanto do político ‘polido’, como também do eleitor, sendo que “tudo o que parece é” até que haja “media” suficiente em contrário.
As pessoas alheadas da política saíram este Sábado à rua, e se este facto for ignorado pelos ‘agentes’ políticos, como parece que tem vindo a ser, abrem as portas a que um qualquer “messias” surja e portanto abrem-nas à ditadura.
Só que a culpa desta, não poderá ser imputada à massa informe da sociedade, mas sim a um regime que desistiu de prestar contas ao “demos”, em prol do “media”.

12 Março, Avenida da Liberdade - Lisboa

Dec 172010
 

No início, nos Centros Comerciais, comprava-se.
De seguida, nos Centros Comerciais, passou-se a comprar e a comer.
Pouco depois, nos Centros Comerciais, passou-se a comprar, a comer e a entreter.
Ao mesmo tempo, nos Centros Comerciais, passou-se a comprar, a comer, a entreter e a namorar.
Mais adiante, nos Centros Comerciais, além de se comprar, comer, entreter e namorar, começou-se a exercitar.
Quase simultaneamente, nos Centros Comerciais, não só se comprava, comia, entretia, namorava e se exercitava, como também se passou a vaguear.
Actualmente, nos Centros Comerciais, vagueia-se e por isso compra-se, come-se, entretém-se, namora-se, exercita-se.
Amanhã, nos Centros Comerciais, vaguear-se-á e, portanto, comprar-se-á, comer-se-á, entreter-se-á, namorar-se-á e exercitar-se-á.
Assim que o sexo seja oficialmente declarado um produto de consumo, nos Centros Comerciais, as pessoas vaguearão à procura de sexo, e portanto, comprarão sexo, comerão sexo, entreter-se-ão com sexo, namorarão com sexo e exercitar-se-ão no sexo.

Detesto Centros Comerciais, e mais de 26 minutos e meio num, seja qual for, começo a dar em louco.

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Jul 202010
 

Enlèvement d'Europe, Nöel-Nicolas Coypel, c. 1726A Europa que interessa é esta:

Europa, era filha do rei da Fenícia, Agenor, e irmã de Cadmo. Segundo a lenda, Zeus enamorou-se dela, e engendrou uma trama para a seduzir e conquistar sem que fosse descoberto por Hera. Para o efeito, transformou-se num grande touro branco e posteriormente misturou-se com a manada real.

Enquanto Europa e as suas acompanhantes apanhavam flores  esta viu o touro. Este aproximou-se gentilmente e chegando próximo dela, ajoelhou-se aos seus pés. Os modos do touro eram tão meigos que Europa enfeitou-o de flores e superou o seu medo pelo possante animal, ousando montá-lo. Zeus aproveitou a oportunidade e correu para o mar. Nadou com Europa sobre o seu dorso, revelou-lhe a sua verdadeira identidade e levou-a para Creta.

Uma vez chegados à ilha de Creta, Zeus retomou a sua forma humana e tomou-a como amante debaixo Europa e um touro num vaso grego. Museu de Tarquinia, cerca de 480  ACde um cipreste. Desta união nasceram três filhos: Minos, Radamanto e Sarpédon.

Europa tornou-se na primeira rainha de Creta ao desposar posteriormente o rei de Creta que adoptou os seus três filhos que teve com Zeus. Este, à sua partida, reproduziu a sua forma de touro nas estrelas (constelação Taurus).

A procura de Cadmo pela sua irmã, levou-o numa demanda que conduziu à fundação da cidade de Cadmea, que mais tarde viria a ser conhecida por Tebas.

A lenda de Europa, aqui, não chega por um qualquer acesso de mitologia grega que me terá percorrido a mente, muito menos pela plausibilidade de ligação da figura do touro à nossa identidade cultural (muito em voga em redor da vacuidade do problema da tourada).

Invoquei-a, a Europa, porque não se lhe conhece morte nos textos descritos. A mitologia romana soluciona a ausência de morte desta amante humana de Zeus (Júpiter), contando que depois de ter tido os três filhos, entretanto adoptados pelo rei de Creta, a levou para uma nova terra onde lhe deu o seu nome: Europa.

Isto sim: é o que me apetece falar da Europa que todos esquecem no meio das (des)uniões políticas e monetárias, stress-tests à banca, problemas internos nacionais, défices, força e fraqueza do Euro, amigos e inimigos do Euro, agências de rating americanas contra o Euro e instituições e nações europeias, Euro-lixo, Euro-luxo.

A Europa que interessa é esta: a que no imaginário nos diz de onde vimos e quem somos. A que nos diz onde – abstractamente – se começou para chegarmos onde nos encontramos: talvez um dos melhores lugares onde se viver actualmente no mundo. Por enquanto.

Dec 282009
 

Gato FedorentoOs Gato Fedorento, durante o período eleitoral, fizeram-se mostrar de forma redutora muito aquém das expectativas como um mero bando de gatinhos dóceis e ronronantes para com os seus convidados. Ao tentarem copiar o “Daily Show”, vulgarizaram-se.. Deveriam ter sido então chamados de Gato Pardo.

Como diz o provérbio popular, “à noite, todos os gatos são pardos” pois tornam-se indistinguíveis uns dos outros, nas suas correrias pelos telhados, caixotes do lixo, beirais e jardins da cidade. Se a fraca luminosidade da noite vulgariza os gatos, o mesmo se pode dizer do brilho ofuscante dos holofotes dos media num período de acontecimentos políticos agitado.

A expectativa em torno do novo programa criado pelos Gato Fedorento tornou-se elevada. A ideia dos actores políticos serem chamados a fazer performance sob o crivo de mordacidade tenaz dos Gato Fedorento agradou aos eleitores e à generalidade do público.

Longe de se querer mergulhar no formato e aspectos técnicos do programa, pretende-se espelhar a desilusão que foi o “passeio dos alegres” que os Gato permitiram a Sócrates, Manuela Ferreira Leite e companhia.

Após acções exemplares como a do cartaz colocado em pleno Marquês de Pombal (que nesta página se representa), em resposta a um cartaz com carácter xenófobo colocado no mesmo local por elementos do PNR (Partido Nacional Renovador, na fotografia), a expectativa em torno dos Gato Fedorento nas eleições passadas foi-se sempre elevando.

Estes Gato Fedorento não foram os mesmos, estes, que pretenderam “esmiuçar o sufrágio”. De esmiuçar, para além de piadas correntes e neutras, não houve nada. Desde o passeio de Sócrates ao programa, onde aproveitou para brilhar o seu profissionalismo político sempre de riso bem colocado, à caminhada tranquila de Ferreira Leite onde reforçou a sua imagem.

Para comparação, nisto de “esmiuçadelas”, basta assistir a um “Daily Show” de Jon Stewart para verificar a profundidade com que ainda esmiúçam a guerra no Iraque, os contornos da crise financeira ou a discussão em torno da saúde pública nos EUA.

E eis que os Gato Fedorento colocaram-se ao serviço do “status” e afagaram carinhosamente e com muito amor, o dito sufrágio e demitiram-se da coragem e inteligência demonstrada no exemplo aqui invocado.

Gatos destes, são Pardos, indistinguivelmente iguais aos demais..