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O objectivo da apologia do medo é a “segurança”. E nisso, o status bate aos pontos quaisquer outras “razões para se ter medo”, porque a “segurança” acaba por se reduzir a uma substituição da esperança.
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Se por exemplo formos ao étimo “esperança”, deparamo-nos com a primeira definição (Priberam):
esperança
(esperar + -ança)
s. f.
1. Disposição do espírito que induz a esperar que uma coisa se há de realizar ou suceder.
Ora, esta “disposição do espírito” só sobrevive através da relação humana e da consequente identificação entre as “disposições do espírito” de cada um dos indivíduos de uma comunidade ou grupo, que possa em conjunto organizar coisas que a serem realizadas.
A apologia do medo separa, divide e inibe a solidariedade, deixando o indivíduo permeável à “segurança”.
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Nesta perspectiva, a nossa única forma de preservarmos esperança é através de:
- combate à apologia do medo;
- promoção da identificação ao outro (consciência de classe);
- promoção do conhecimento;
Sem estas três premissas, o “status” continuará sempre a levar-nos a melhor e, como sucesso, a reduzir-nos imageticamente à condição de chorões, radicais e marginais.
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A promoção da identificação ao outro (consciência de classe) constitui – a meu ver – um dos maiores desafios. É que o apelo da segmentação/diferenciação individual é muito sedutor para os indivíduos que vivam numa sociedade já formatada pela ilusão de omnisciência/potência. O “eu sou diferente do outro” presente nas mentes é a morte da consciencia de classe, a semente da divisão sobre a qual se torna mais fácil de implementar o binómio medo/segurança.
As acções e movimentos que se centrem nos discursos de diferenciação e de segmentação estão à partida condenados, porque nunca transmitirão um processo de identificação ao outro que possa tornar-se comum (e universal), e podem involuntariamente agravar a situação de “medo” que tanto facilita a “segurança” providenciada pelo status.
A promoção do conhecimento é sem dúvida uma das maiores contribuições para que os movimentos possam transmitir esperança através da identificação ao outro e não optem pela via da diferenciação.
O desafio é transmitir novas formas de “eu identifico-me com o outro, embora o outro seja diferente”, porque diferentes já o somos todos uns dos outros à partida.













